16.8.09

Não há melhor lugar que aquele onde se mora

Um ano atrás, no quinto dia do oitavo mês, desembarcava pelas bandas do Planalto de Piratininga. Mas como à pobreza não são reservadas pompas, desci só, na Rodoviária Tietê. Eu, duas malas, uma mochila e, ao contrário do que muitos pensam, um tanto de covardia. Sim, pois a fugas não é preciso coragem. Pelo contrário: é preciso certeza absoluta de sua inapetência para resolver o que lhe aflige.

A colonização destas terras sobre mim iniciou-se em uma "travessa", que lá na minha terra, é só uma rua que começa em outra rua, mais importante que ela. Em uma "travessa" da Cerro Corá que fiz meus primeiros meses SP. Por lá umas aves gorjeavam pelas manhãs, mas em espetáculos comedidos da natureza. Seria mesmo capaz de dizer que nunca se deveria procurar os tais passarinhos, sob pena de descobrir que eles eram apenas gravações ou um desses sabiás moribundos cobertos de graxa que se confundem com os pombos – sim, caro amigo, ainda há sabiás por cá.

Mas, por me incomodar o trânsito desnecessário da região cerro-coralina, após o período inicial, mudei o eixo de minha colonização de oeste para o centro. Vim para perto dos judeus que, segundo minha tia, são boa companhia a mineiros, já que somos todos sovinas na opinião dos paulistanos [Bom, na minha também]. Trouxe saudades da Mercearia São Pedro, único lugar em SP onde encontrei uma porção em que é possível molhar o pão enquanto se bebe cerveja [Descontando-se, óbvio, as porções de frango a passarinho encharcado no óleo].

Contudo encontrei outras maravilhas por cá, como o Bar do Fuad, o empreendimento da filha do Nelson Gonçalves e a colônia minero-paranaense que, a muito custo, temos conseguido manter a base de choramentos de pitangas, cervejadas e afins.

Do povo

Mui graciosa é a população desta terra. No período relatado, já ouvi dos nativos frases como: "Toda mineira é puta", "Uma casa só com mineiras? É zona?"e "Volte para sua terra natal sua extraterrestre". Tem também os belos chamamentos, como: "ô petistinha mineira" e "ô comunistinha de BH". Tanto amor me deu a certeza de que é um povo hospitaleiro, empenhado em receber bem os estrangeiros, principalmente se for mulher e de Minas Gerais.

Além de tudo, pelo comportamento cortês de nossos hermanos paulistanos, vejo um grande potencial para a instalação de bordéis com putas mineiras. El Rey deveria investir nesse filão [Alguém, por favor, leve meu pedido ao Aécio Neves que ele certamente entenderá]. Será sucesso absoluto.

Da culinária

Aqui é uma terra donde se come de tudo um pouco. Mas de tudo que comi até agora, de muito pouco gostei. Dizem que sou chata... vá saber.

Das habitações

De todos os estilos de arquitetura desenvolvidos nesta cidade, a que mais gosto, certamente, é aquela tingida de pixo e poluição, mui comum às margens do Minhocão. Ah!, sem contar as belas vias de opulento concreto que mostram a todos o que é desenvolvimento.

Dos modos e costumes

É uma boa terra a mudos, já que se gastam poucas palavras por aqui. Não é preciso dizer bom dia às pessoas, nem desculpa, nem com licença. Certamente, um povo econômico.

Ainda cultivam hábitos saudáveis nos finais de semana, correndo e andando de bicicleta pelos espaços públicos da cidade. Ao que parece, serve como redenção à prática predileta dos paulistanos durante a semana, que é a de andar exaustivamente de carro e buscar maneiras de burlar o rodízio pra não precisar usar o transporte público.

Onde habito atualmente há mais um outro hábito encantador, que é o de vestir os cãezinhos para sair com eles à rua.

28.7.09

Um dia de gêmeos a almas-gêmeas

Acordou no mesmo horário de sempre. Tomou o mesmo nescafé feito no microondas de sempre. Tinha bolo – isso nem sempre acontecia.

Ligou o PC, como sempre fazia antes de sair. Abriu o site de notícias. Foi clicar na matéria sobre seu time. O cursor agarrou de repente e, quando viu, tinha clicado no horóscopo.

"Saco!", pensou, quase deixando a xícara cair. Mas sentiu aquela súbita curiosidade de saber a previsão para o dia, mesmo que lhe parecesse extremamente adolescente fazê-lo. Ou seria feminino demais? Ou pior: os dois – e se imaginou uma garotinha de 15 anos consultando os astros para saber se o garanhão do colégio a amava.

Como aquilo era bobo.

Deu uma olhadela. Previsão "Friday i'm love". Riu um tanto.

"O estado cósmico positivo entre Marte, o seu regente, e o Sol, permite que você encontre exatamente quem você quer".

Na rua, assobiava "A Strange Day" enquanto equilibrava o guarda-chuva na mesma mão que os livros. Precisava enrolar melhor o cachecol. E já estava quase findo o malabarismo quando viu um sorriso no outro quarteirão da rua. Tão familiar que parecia que já a conhecia. Não?

Não... Mas ela lembrava alguém? Quem?

"O estado cósmico positivo entre Marte, o seu regente, e o Sol, permite que você encontre exatamente quem você quer".

E se ela já existisse antes na sua lembrança? Fazia sentido. Fazia? Ela olhava pra ele também. Olhava? O reflexo nos óculos dela não deixava ver direito.

Certo é que ela sorria. Os dentes brancos como o céu de chuva.

"O estado cósmico positivo entre Marte, o seu regente, e o Sol, permite que você encontre exatamente quem você quer".

Ensaiou um "Hello, I love you.Won't you tell me your name?".

Como aquilo parecia bobo. Mas a vida era mesmo tão boba, não?

Ela continuava em sua direção e ainda sorria. Por trás dos óculos, os olhos meio tristes pareciam sorrir também à medida que ficavam mais próximos e que diminuía o reflexo nas lentes.

Era agora.

Era bobo. Era. Afinal, o que não é?

"Hello, I love you.Won't you tell me your name?".

Mas percebeu que a voz não saia. E ela ia. Passou ao seu lado, junto com o sorriso, acelerou num passinho curto, deu sinal e entrou no coletivo.

Ele seguiu. "Hiding the tears in his eyes 'cause boys don't cry".

Nunca acreditou mesmo em horóscopos. Nem em letras de música.

13.7.09

À hora da partida, nem a despedida

No bilhete na geladeira, lia-se em letrinhas miúdas de caneta roxa sobre o fundo amarelado de um papel velho:

Querida, que nenhum açúcar, nenhum afeto, nem brigadeiro de colher haviam de me fazer parar em casa. Estou eu naquele meu terno [o mais bonito] e hoje irei me atrasar. Na verdade, não se preocupe, que também não voltarei mais feito criança para chorar o seu perdão. Qual o quê. Fui-me. Fugi com outra. Para sempre. Adeus.

À hora que Ele deixou o bilhete eram nem sete da manhã. Ela nem percebeu que Ele já se levantara – 30 minutos antes do horário usual – tão ocupada que estava em sonhar com outro.

Quando Ela finalmente se pôs de pé, foi primeiro à pia lavar o rosto ainda adormecido pelos sonhos. E quando se viu no espelho, percebeu que sorria, ainda embalada por aquela alegria onírica.

Demorou cinco minutos tateando pelo mundo para achar sua razão.

Foi à geladeira pegar suco, um pedaço de queijo e açúcar para fazer o café [naquele verão as formiguinhas estavam infernais a carregar tudo de doce que aparecia]. O êxtase era tanto que nem um luminoso a faria ver o bilhete já quase caindo da porta.

Em 15 minutos havia feito o desjejum. Mais 15 e terminara de colocar tudo na mala. Ligou para o táxi e pediu para que viesse rápido.

Quase ia saindo, quando se lembrou que não podia ir assim. Viu um bloquinho amarelado ao lado do telefone, uma caneta roxa, escreveu:

Meu nego, já não suportava mais todo dia você chegando de porre lá da boemia. Sempre me roia por dentro quando me vinha com seus cafunés a chorar seus apelos. Não podia mais viver com esse teu coração que é tão vagabundo. Fui encontrar outros, viajar a Paris, ser feliz... sem você.

Pregou o papel no espelho do banheiro que foi onde previu que ele fosse achar mais fácil. Bateu a porta da sala e se foi sem nem levar as chaves.

29.6.09

Da importância do xadrez em nossas vidas

[Post em homenagem a L. Bornacki, grande amigo que, embora se vista a contento, ainda não descobriu quem foi Amarante nem o valor do xadrez]

O xadrez é tão completo que sua completude já começa pela palavra.

Até aqui não se sabe ainda se falaremos sobre o jogo, sobre a estampa ou sobre a prisão.

Pois apenas o que digo é: não falaremos de nenhum muito embora a inspiração parta da estampa.

Por quê?

Porque este post é resultado de uma dessas discussões elucidativas e inconclusivas sobre comportamento, tema preferido após o arrefecimento de outros assuntos já debatidos no dia – como política, cidades e afins. Afinal, conversa que se preze deixa de ser séria assim que possível.

Pois estávamos, a sociedade dos mineiros residentes em São Paulo, em peso em casa de uma amiga quando, sabe-se lá como ou porque, entramos no mérito de dotes masculinos.

Dotes exteriores, adianto, para que ninguém deixe de ler por falsos pudores.

Éramos mais mulheres que homens – na verdade só me lembro de um homem participando da conversa, justamente para quem a gente tentava justificar o que tinha afinal no xadrez.

Começou por uma unanimidade entre o público feminino de que homem tinha que usar a estampa, ao que nosso colega retrucou que era feia.

Daí a discussão se estendeu por ponderações e afins: certo, há xadrezes feios. Sim, ele tem passado por um processo de desgaste pelo uso excessivo [inclusive por emos], mas, mais que isso, o que deve haver é um quê de xadrez em um homem, e era isto que, de fato, agradava às damas presentes.

Isso poderia existir sem uma camisa quadriculada. É uma essência xadrez, se é que o prezado internauta me compreende [há xadrezes em um homem com blusa branca, por exemplo].

Não compreendeu? Certo. Na hora, nenhuma de nós soube dar maiores satisfações ao exemplar masculino presente, confuso com a teorização capenga. Sabe como é: tem coisa que mulher entende mas não sabe verbalizar objetivamente, o que faz com que somente outras mulheres entendam o que está em questão.

Assim, nós, mulheres presentes, ficamos satisfeitas com nossa não-explicação, chegamos a um consenso e voltamos pra casa.

No dia seguinte, uma de nós, lembrando que um amigo homem não tinha entendido lhufas, resolveu retomar o tema com textos em francês [devidamente incompreendidos por mim e outrens de cultura lingüística restrita] e com um argumento ótimo para defender a estampa: "Pô! Até o Super-homem usa xadrez!".

Pensando no Super-homem e nos homens xadrezes que conheço, uma brilhante conclusão, essa sim, verbal e curta, me tomou de assalto: afinal, o cara xadrez é aquele que é meio cool, meio cult e meio cafajeste [ah! eu disse MEIO cafajeste, ok? Cafajeste e meio vira uma essência listrada, que já nem é meio cool, tampouco meio cult, muito menos interessante].

À minha conclusão, ganhei a contribuição de F. Santos, que twittou brilhantemente o ponto final da questão para aqueles que ainda não entenderam o que é o homem xadrez: "esse 'cool, cult e meio cafajeste' do xadrez é filho dos hermanos :) barbudinhos se inspiraram neles. Amarante é o ícone xadrez".

Agora, diante de uma explanação tão pormenorizada, tudo que eu aconselho é: não entendeu? Lê de novo! Não sabe quem é Amarante nem Hermanos? Desista. Mas caso ainda lhe sobre uma curiosidade insaciável de provar o efeito do xadrez masculino sobre as mulheres, compre uma camisa com a estampa, ponha uma Piauí* debaixo do braço e vá para um café no fim do dia [não haverá a essência, mas quem sabe...].


*Se acha que Piauí é um estado e que ele não cabe debaixo do seu braço, por favor, definitivamente desista antes de tentar.

26.6.09

Dia de delegacia

Conheci hoje o funcionamento de uma delegacia de polícia. Uma tarde maravilhosa, da qual despendi 2h30 para ver adolescentes infratores sendo transferidos, mães e tias desesperadas atrás de seus rebentos detidos, senhorinhas que contavam sua vida de assaltada profissional e policias corteses.

Aliás, cortesia rima com delegacia. Logo quando cheguei o atendente me olhou dos pés à cabeça com cara de "e aí, mocinha, algum problema?". Perguntou, ríspido, o que tinha acontecido. Placidamente – como toda pessoa recém-roubada – expliquei-lhe que haviam puxado o meu celular da minha mão enquanto andava na rua. Para evitar trabalhos desnecessários de registrar boletins de ocorrência de áreas que pertencem a outros DPs, ele foi logo se certificando de que realmente tinha acontecido por ali. Disse que sim. A poucos quarteirões da delegacia.

Como vivemos no Brasil, país da honestidade geral da nação, logo em seguida fui metralhada por perguntas do tipo: "você viu o cara?", "que horas foi?", "como foi?". Fiz menção de responder, mas fui devidamente ignorada assim que comecei a falar. Afinal, vendo que realmente não estava inventando uma história pra ganhar um BO, o guarda, já mais tranquilo, pode atender ao telefone enquanto me mandava esperar sentadinha em cadeirinhas cor de desbotado alinhadas no saguão.

Não sem antes, claro!, advertir-me de que iria demorar e perguntar se eu queria mesmo o BO. Pensei comigo, naquele senso de cidadania que só os idiotas têm, que precisava sim registrar o BO. Mesmo porque se não o fizesse estaria eu contribuindo para mascarar os índices de violência do bairro em que eu vivo. Coisa de gente idiota, já disse.

Nas cadeirinhas desbotadas me mantive sem me mover nem para beber água, pensando na vida e pescando o que passava. No dia anterior pegaram uma turma de garotos que roubou um laptop em uma lanhouse. Vi a turma sendo transferida. Bando de molequinhos sem a menor cara de risco social. Dormiram na delegacia. Saíram algemados quando foram encaminhados pra "Febem". Tudo como manda o figurino do desrespeito aos direitos que estão aí nos nossos marcos legais. Tive a impressão de que eu ia chorar, mas aí vi que o policial estava de olho em mim. Engoli o choro. Disfarcei e desviei o olhar para a turma que subia as escadas para a perícia. Ia um rapaz bonitinho, com cara de motorista que atropelou alguém. Dois amigos iam atrás, com cara de passageiro que está pouco se fudendo pro que aconteceu.

Na paralela, uma mulher gritava feito louca no saguão. Era evangélica, queria ver alguém da Igreja Universal do Reino de Deus. Saia comprida, blusa branca de manga, o cabelo enorme amarrado no alto da cabeça. Encenava choro e gritava a cada policial que passava. A história não dava pra entender. De nítido, só uma hora quando gritou que os caras de onde trabalhava torturavam-na. Desisti. Olhei pra fora. Pela porta de vidro, o dia feio, cinza, a chuva e um orelhão verde-limão da Telefônica.

"Eu sou assaltada sempre, sabe?", era uma senhorinha que, na fila da frente à que eu estava, tentava pescar minha virada de cabeça pra puxar assunto. Dei um sorriso sem graça, de quem está cansada, molhada, com frio e com fome. "Olha minha carteira", disse ela tirando de uma sacola de supermercado um desses suportes de plástico para dentadura. Ela se gabava da solução: "se alguém vier, eu falo que é minha dentadura e pego de volta". Não calculo que o medonho porta-níqueis improvisado tivesse uma quantia superior a R$ 20. Mas está certo. Cuide do que tem, já dizia mamãe.

Do outro lado da sala, um guarda, conversando com outro, resmunga um "não sei porque gente louca vem à delegacia em vez de ir pro psiquiatra". Eu também não sei. E nem quero saber, a bem da verdade. Duas horas depois da entrada no bizarro mundo do submundo, o delegado me chama. "Rachel?". Levanto. Vou pra salinha do escrivão. Ele me manda sentar sem levantar os olhos, um tanto entretido que estava em responder mensagens no celular. "Minha namorada...", fala, "está aqui pedindo pr'eu registrar ocorrência porque tiraram dinheiro da conta dela". Finjo perplexidade. "É internet é foda". Ele pede minha identidade e repete as perguntas que já tinham sido feitas logo quando cheguei à delegacia. Respondo de novo. Agora, se fosse mentira, já seria verdade de tanto tempo para aprimorar a história. Conta que outro dia um cara o encarou na rua quando estava no centro com o celular na mão. "E olha que eu não sou pequeno, einh?", gaba-se. Eu também não sou pequena. Mas eu sou mulher, eu ando sozinha e eu fui roubada.

Com um papel de impressora matricial, abandono a delegacia. Vou pra casa com uma sensação de que demorou até muito tempo pra que isso acontecesse. Afinal, onde já se viu uma brasileira nata, que viveu toda a vida no país, chegar aos 25 anos sem nunca ter registrado um BO! Ainda mais uma brasileira que ainda teima em sair à rua. Era hora, é verdade, era hora.


22.6.09

Óia agosto! É mentira...

[por Vaca Malhada*]

"Olha a cobra! Cai em cima!"

"Cestinho de flor! Deflorou!"

"A ponte caiu! Óia o Viagra!"

Em homenagem às festas juninas que invadem este mês [e a primeira semana do próximo, já que sempre faltam fins de semana para tanta festa] e fazem a alegria da turma da canjica com caldo de feijão, desvendamos alguns dos detalhes mais interessantes desses festejos mágicos que combinam comilança e a homenagem a algum santo [que na maior parte das vezes nem se sabe qual é].

S. João, S. Antônio e...

No mês de junho, são realizados os festejos em homenagem a três santos: S. João, S. Antônio e um terceiro que, segundo pesquisas do IBGE, 73% dos brasileiros não fazem idéia de qual seja. De acordo com a Wikipédia, é São Pedro, que deve ter entrado na lista porque algum agricultor desesperado resolveu dar canjica pro santo "pá mó" dele fazer chover um pouco, já que é um mês de seca arretada.

A tríade junina é original do Nordeste brasileiro, o que justifica tanto amendoim e milho numa festa só. Do contrário, fosse de outra região, certamente haveria outra coisa além de grãos entre os comes tradicionais do evento. Segundo estudos históricos datados do ano de 230 D.C. [Depois de Cabral], a popularização dos festejos juninos se deu após o primeiro êxodo de nordestinos para outras partes do Brasil.

Entretanto, a origem histórica dos santos e das comemorações a eles relacionadas pode ser comprovada pela grande popularidade da tríade junina nos estados do NE brasileiro, em grandes festejos em cidades como Caruaru (PE), Campina Grande (PB) e Juazeiro do Norte (CE). Na Bahia, eles ainda preferem o Carnaval, devido ao período estratégico deste e à possibilidade de postergar o início dos dias úteis baianos por alguns meses.

Pula a fogueira ia-iá

Além de comer, os brincantes dos festejos juninos costumam cultivar uma série de brinquedos e brincadeiras de roda – estas, consagradas pelas quadrilhas, que também atuam no Brasil de outras formas e com outras sazonalidades, inclusive nas regiões do Planalto Central. É preciso cuidado por parte dos pais ao deixar seus filhos sozinhos nesse tipo de festa, pois há tradições perigosas, como a de pular fogueira ou a de subir no pau de sebo.

Relatos recolhidos nas cidades de Amargosa (BA) e Mossoró (RN) registram a presença de filhos do "pau de sebo", que equivaleriam aos "filhos do boto" da Região Amazônica.

Ainda na análise dos brinquedos populares, é preciso atenção dos brincantes à tradição de pular fogueira, comparável à de pular a cerca e, portanto, desaconselhável àqueles que não têm as habilidades necessárias.

Encalhou? Amarra o S. Antônio

Por estratégias de mercado, o dia de S. Antônio é comemorado um dia depois do Dia dos Namorados. Isso porque aqueles que no Dia 12 se deprimiram e se frustraram por sua incompetência para com os relacionamentos, podem, no Dia 13, renovar suas esperanças com pequenas mandingas e afins. Diz-se da mais tradicional amarrar o Santo Antônio de cabeça pra baixo e só desamarrá-lo quando realizado o pedido de desencalhamento.

Todavia, a Sociedade Protetora dos Santos de Desespero (SPSD) – a qual também zela pela segurança de outros santos, como S. Judas e S. Expedito – tem coibido esse tipo de ato por meio de macumbas fortíssimas que levam a pessoa amada de quem judiou [estamos usando o verbo judiar só para sermos politicamente incorretos] do Santo em até cinco dias. Portanto, novas soluções em gestão de mandingas para Santo Antônio têm sido desenvolvidas nos últimos anos.

A mais festejada, até então, é a simpatia da medalhinha na obra. Faz-se da seguinte maneira: amarra-se ao pescoço uma medalhinha de S. Antônio, cuidando para o santo não ficar de ponta-cabeça. Isso feito, basta dirigir-se a uma obra de sua preferência, dando três voltas no quarteirão com um decote grande o suficiente para mostrar a medalhinha, que deve estar à altura do seu colo [e, por favor, não pense q seu colo são suas coxas]. Izildinha de Jesus, de Jequié (BA), garante que na mesma hora encontrou três pretendentes e se casou antes que mais uma festa ao Santo fosse realizada.


* Este texto não reflete a opinião de 007 Project sobre o mundo e não se aconselha seu uso em trabalhos escolares.

28.5.09

#vacanaovoa

[O que meu público não me pede sorrindo que não atenda aos prantos? Pediram Malhada... e ela cá está. Twittando loucamente. Mimando nossos internautas com mais uma de suas desventurosas aventuras de vaca holandesa que vive nessas terras de meu deus. A seguir, nossa amada vaca compartilha conosco sua mais nova experiência amorosa internética mal-sucedida. Malhada conheceu OPato, mas no final, não caíram n'água nem ensaiaram um vocal]

@opato quando o vi cantando alegremente, o marreco sorridente nem deu samba. saiba q só tinha olhos a vc #amordemais
aproximadamente 7 horas ago from web

@mimosamalhada #teconheço?
aproximadamente 7 horas ago from web

é que não me viste, @opato. Eu estava na outra beira da lagoa enquanto tu ensaiavas o tico-tico no fubá
aproximadamente 5 horas ago from web

creio q eu saiba quem és. por ventura ñ serias tu a vaca de biquini q se esgueirava por detrás de uma roseira, @mimosamalhada?
aproximadamente 3 horas ago from web

decerto, @opato. é que indo eu, indo eu, a caminho de viseu, encontrei o meu amor, ai, ai, ai que lá vou eu #destino
aproximadamente 2 horas ago from web

querida @mimosamalhada, nada de destino. não creio nisso #bobagem
aproximadamente 1 hora ago from web

CLARO Q É DESTINO, @opato! e só ñ pedi p/ entrar tb no samba, no samba, no samba, pq ñ creio q lagoa seja lugar de ensaios #vergonhaalheia
47 minutos ago from web

só diz isso, @mimosamalhada, pq #vacanaovoa e também não nada
33 minutos ago from web

@opato, percebo que meu amor era cego. tu és menos pato poeta e mais #patopateta
18 minutos ago from web

mas @mimosamalhada, que outra coisa esperava de uma vaca que quer a patos amar?
7 minutos ago from web

RT @opato "mas @mimosamalhada, que outra coisa esperava de uma vaca que quer a patos amar?" [quem ama o pato, periquito lhe parece]
menos de um minuto ago for web

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Relembre Malhada em:

Cartas na Mesa

Curriculum Vitae

Foi Judas!!!

Cinco fins para uma trama qualquer