[Escrever é reviver. Retrospectemos 08]
Mas antes deste ano acabar, eu ainda faço uma fezinha na loteria. Porque se o dito popular é certo, PQP, mas estamos em ano de sorte no jogo. Temos de aproveitar.
Roubei este coração perto da Folha de S. Paulo; um lixão enorme, sempre ao pé dele, me fascina, mas desenquadrei-o da foto por ser muito pessoalAliás, 2008 não foi um ano, foi uma odisséia. Se alguém me perguntar como isso tudo começou, não me lembro. E se há crise dos 25 anos, a minha veio aos 24, certamente.
Do contrário, nenhuma pessoa em sã consciência teria um "surto de fim". Fim da estadia na cidade, do trabalho, do namoro. Tudo de uma só vez, no mesmo mês. Se isso não é crise, baby, juro!, não quero saber o que é. Tampouco saber qual será a dos 25 anos.
Fato é: cai em Sampa, plano antigo, mas que acho que às vezes eu mesma duvidava que pusesse em prática. Lembro bem: sai de BH em chuva em pleno inverno. Cidade idiota. Nunca chove por lá no começo de agosto. À exceção do dia em que vim embora, em um Cometa e com uma chuva torrencial. E eu, lendo uma maldita mensagem no meu celular, chorava mais que a chuva. Sorte que era dia de semana, durante o dia e ninguém viaja nesse horário. O conforto do ônibus vazio é saber que a cadeira é só sua. E sua intimidade também.
Oito horas depois, já sem choro, estava aqui. Entre satisfeita, apavorada, feliz e sozinha. Quatro meses depois, acho que continuo assim.
Findadas emoções da partida, emoções da chegada. De novo, Rachel, hora de refazer-se em algum lugar. Estava com saudades, confesso. Mudar sempre é uma chance de tentar consertar aquilo que você não era. Mas também é sempre chance de errar de novo. Isso gera: TENSÃO.
E tensão te deixa satisfeita, apavorada, feliz e sozinha. Ou outras variações do mesmo tema.
Por fim, chego ao fim de novembro ainda trabalhando em um grande jornal – bom, acho que era algo parecido com isso que vim buscar aqui – em uma função que defini, carinhosamente, como de putinha jornalista [não, não. Antes que alguém pense isso, não dei pro chefe. Refiro-me a ter ido cobrir bares no Guia].
Acontece que transformei o prazer em profissão. Ou seja: o gozo nunca mais será o mesmo. [Obrigue-se a ir ao bar e verá!]
But, life is [not/ not always] good. 2009 é ano ímpar e vem aí para redimir-nos [ou reduzir-nos? Nunca se sabe]. Gosto deles, anos ímpares, sempre mais. Tudo que é impar é mais legítimo. Essa obviedade das coisas pares cansa. O par tem uma certitude insuportável.
Por isso resolvi: o mundo que me desculpe, mas meu calendário 2008 se encerra dia 30 de novembro [ou seja: amanhã é dia de réveillon pessoal!!! êêê].
Para não acusarem de falsa anarquia ou pseudo-revelia, inicio 2009 junto com todos, 1º de janeiro. Até lá, estamos em período de latência [im]produtiva.
Não vou desejar o mal para os outros porque não é do meu feitio, mas deixo de sobreaviso: mexe comigo até 2009, pra você ver!
TOP 8 # 08
# Música: não sou Malu Magalhães, mas Camelo ganhou minha música do ano, com os versinhos "Posso estar só / Mas, sou de todo mundo / Por eu ser só um / Ah, nem! Ah, não! Ah, nem dá!"
# Descoberta: sebinho de revistas antigas na São João, donde adquiri minha primeira revista da década de 10!
# Cor do ano: Havana, by Risque [para Tadeuzito, que anda guardando nomes de esmalte sabe-se lá pra que]
# Blog: definitivamente, FAQ de Mulherzinha [que vai estar melhorando pra 2009, né Rubinha?], sempre disponível, no www.faqdemulherzinha.blogspot.com
# Réveillon: 2005/2006
# Livro: primeiras páginas de "Uma temporada no inferno". Tão boas que não consegui ler o resto do livro até hoje
# Filme: Win Wenders e aprendendo, disse o trocadilho infame de um jornalista igualmente infame. Em homenagem, elejo "Asas do Desejo" o filme do meu ano. Mais que outros lançados em 2008 [já disse isso antes neste blog, não?]
# Revelação: o Camelo é o lobo-mau [agora só falta saber que o Amarante é o Papai Noel... ah! mas aquela barbichinha nunca me enganou!]
[madrugada de sexta pra sábado, eu ouvindo "Doce Solidão" repetidas vezes. O vizinho queimando um misto sem cessar. Mas o convívio social é mesmo uma merda]


